Skip to content

Território & GIS ​

Base geográfica comum a todos os mapas do SGM: o polígono do município e os seus bairros, a imagem sobre a qual se desenha (satélite global ou ortofotos de drone), os marcos geodésicos de que partem os levantamentos e os edifícios de referência. Este capítulo explica o que cada camada é, de onde vem e o que o utilizador vê; o trabalho cadastral em si está em Urbanização, DUAT e Construção.

SecçãoMenus
Plataforma (superadministrador)Território dos tenants
Urbanização · Cadastro & PlaneamentoMapa cadastral (GIS) · Marcos geodésicos · Vista 3D
Ecrãs partilhadosMapas da Fiscalização e dos Mercados (mesmo território e camadas base)

A gestão de Ortofotos tem ecrã próprio (título "Ortofotos — zonas de voo de drone que compõem o mosaico municipal") mas, à data desta versão, sem entrada registada no menu/rota (não verificado se está acessível). As zonas registadas via API aparecem normalmente no mapa.

Sistemas de coordenadas ​

SistemaOnde se usa
WGS 84 (EPSG:4326), graus decimaisArmazenamento de toda a geometria, GeoJSON, coordenadas de marcos, caixa envolvente das ortofotos
UTM 36S (EPSG:32736), metrosCálculos métricos: área, perímetro, poligonais, desvios, leitura de coordenadas do cartógrafo. Meridiano central 33°E; a Maxixe (~35,3°E, ~23,9°S) cai nesta zona, hemisfério sul
Web Mercator (EPSG:3857)Só para os tiles de imagem no ecrã — nunca para medir

TIP

Em graus não há área nem distância. Sempre que o SGM apresenta metros ou m², o valor foi calculado em geografia esferoidal ou em UTM 36S no servidor. Os mesmos números aparecem no QGIS se o projecto estiver em EPSG:32736.

Limites administrativos (COD-AB) ​

O catálogo territorial guarda as fronteiras administrativas de Moçambique em quatro níveis: província (1), distrito/município (2), posto administrativo (3) e bairro/localidade (4). Cada unidade tem um pcode (código oficial, ex.: MZ0810 para a Cidade da Maxixe), nome, unidade-mãe, área em km², e proveniência: fonte, versão, validade, se é oficial e se a geometria foi reparada.

Origem ​

Uma instalação nova já traz as 11 províncias e os 161 distritos/municípios (níveis 1 e 2) — o suficiente para escolher o município de um tenant e delimitar o mapa. Os postos administrativos (nível 3) e os bairros (nível 4) não vêm de origem e continuam a exigir a importação completa: sem eles o cadastro não pendura o talhão num bairro.

A fonte carregada por omissão é o COD-AB Moçambique (OCHA/INE, licença CC BY-IGO), importado por um comando de administração (sgm:limites-importar) a partir de ficheiros carregados com GDAL — trabalho de instalação, fora da consola. O comando é idempotente (reexecutar actualiza) e grava oficial = false; só com traçado da autoridade competente (CMCM/DINAGECA) se importa com a opção --oficial, que pede confirmação. Três geometrias inválidas da origem (distrito de Mágoe, Tete) são reparadas e marcadas.

Referência da Cidade da Maxixe no catálogo: pcode MZ0810, posto administrativo MZ081099, 17 bairros (o plano municipal fala em 19 — por confirmar com o CMCM), 272,28 km², centro 35.30276, −23.87012. Os bairros penduram no posto administrativo, não directamente no município.

O que o utilizador vê ​

Depois de o município estar associado (secção seguinte), todos os mapas do sistema recebem:

  • Máscara exterior — tudo fora do município fica escurecido (desligada na Vista 3D para não competir com a imersão);
  • Limite do território — contorno do município, sempre no topo;
  • Bairros — polígonos rotulados com nome e área, comutáveis no painel de camadas;
  • Enquadramento automático — o mapa abre centrado no município e fica limitado à sua caixa envolvente (com folga pequena);
  • Aviso "Traçado não oficial" — sempre visível enquanto a proveniência não for oficial. É a diferença entre um mapa de trabalho e um mapa com valor legal.

Nos formulários (talhões), o campo Bairro é preenchido com os bairros do território. A validação espacial dos talhões usa o polígono do município ("O talhão cai fora dos limites do município"). Se o município ainda não tiver território, os mapas funcionam sem delimitação e a mensagem "O município deste utilizador ainda não está associado a um território georreferenciado. Peça a um superadministrador da plataforma para o configurar." aparece a quem consultar o território.

Autarquias — associar o município a um tenant ​

Território dos tenants (só superadministrador da plataforma; permissão administracao.view + estatuto de superadmin). Duas listas lado a lado:

  1. Tenants (esquerda) — nome, estado e Município atual ("— sem território —" quando ainda não há); pesquisa por nome;
  2. Catálogo de municípios (direita) — as unidades de nível 2, com província, área e se já estão associadas a outro tenant; pesquisa por município, província ou pcode.

Seleccionar um tenant e clicar Associar numa linha do catálogo liga os dois. Regras: o pcode tem de ser um município de nível 2; um município já associado a outro tenant não pode ser reutilizado (mensagem do servidor); se a ficha do município do tenant ainda não tiver nome, herda o nome do catálogo. A operação é idempotente e fica na auditoria (associacao_territorio). Não existe "desassociar" — associa-se outro município por cima.

WARNING

Cada tenant é um município. A associação é o que faz os mapas, a validação de talhões e a cobertura de ortofotos funcionarem — deve ser o primeiro passo depois de criar um município na plataforma.

Edifícios de referência ​

Contornos de edifícios extraídos por machine learning sobre imagem de satélite (Google Open Buildings v3, distribuição HDX por país; inferência de Maio de 2023 sobre imagem de 50 cm), recortados ao município e carregados por comando de administração (sgm:edificios-importar, idempotente). Um segundo comando (sgm:edificios-altura-importar) amostra a altura de cada edifício a partir do raster Open Buildings 2.5D (mediana ou percentil 75 dos pixels dentro da pegada); edifícios sem amostra ficam com altura nula.

DANGER

Não têm valor cadastral. São contornos de edifícios, não limites de talhões — uma casa pode estar a meio de uma parcela ou atravessar duas; o modelo erra mais na construção informal. Servem para localizar e apoiar o desenho, nunca para o substituir. Não existe nenhum botão que converta um edifício em talhão; um talhão desenhado com esse apoio regista-se como proveniência Importado ou Desenhado.

O que o utilizador vê:

  • No Mapa cadastral e na Vista 3D, a camada Edifícios de referência (só de leitura, permissão cadastro.view), visível a partir do zoom 14 (abaixo disso o tile vem vazio de propósito);
  • Na Vista 3D, blocos 3D com rampa de cor por altura (≈ 0–6 m, 6–12 m, 12–24 m, torres) e cinzento quando a altura é estimada por omissão (6 m) em vez de medida; a legenda indica a data da imagem de origem e o ano da altura;
  • Cada edifício traz confiança (0–1) do modelo, filtrável (confianca_min) e nunca escondida; o resumo mostra a distribuição por faixas de confiança e a cobertura de altura.

Ortofotos de drone ​

Uma ortofoto é a imagem aérea ortorrectificada de uma zona voada por drone, publicada como pirâmide de tiles XYZ. O satélite global chega a ~27–50 cm/pixel e tem vários metros de erro absoluto — insuficiente para desenhar talhões de 200 m²; uma ortofoto com correcção RTK/PPK e pontos de controlo desce a 2–3 cm/pixel e a poucos centímetros de erro.

Uma lista de zonas, não um ficheiro único ​

O município não se voa de uma vez. O SGM guarda uma zona por voo, cada uma com o seu template de tiles, zoom real, GSD e data. Duas zonas podem sobrepor-se (reforço/actualização); a coluna ordem decide qual fica visualmente por cima — maior ordem = por cima, tipicamente a mais recente. Zonas desactivadas saem do mapa mas ficam no histórico; nunca se apaga o registo de "isto já foi voado".

Registar uma zona ​

O processamento do GeoTIFF (reprojecção, overviews, geração de tiles, publicação num servidor HTTP) faz-se fora da aplicação, com GDAL — ver o guia técnico interno docs/gis/ortofoto.md. O ecrã só regista o resultado. Registar ortofoto:

CampoObrigatórioNotas
DesignaçãoSimex.: "Centro urbano — voo Maio/2026"
Zona coberta — Oeste · Sul · Este · NorteSimcaixa envolvente em graus decimais, tal como sai do gdalinfo; Oeste < Este e Sul < Norte; o servidor valida o polígono (fechado, sem auto-intersecção)
Template de tiles (XYZ)SimURL http(s) ou caminho absoluto com {z}, {x} e {y}
Zoom mínimo · Zoom máximoSim0–24, máximo ≥ mínimo; os níveis reais onde existem tiles — um zoom sem tiles dá imagem em branco
GSD (cm/pixel)Sim0,1–1000; a resolução real da imagem
Data do vooSimnão futura; é a data do voo, não do registo
Sistema de coordenadas de origemSimCRS do processamento antes da reprojecção (ex.: EPSG:32736)
Operador · EquipamentoNãoquem voou, com que drone/sensor
Correção de campoNãoNenhuma · RTK · PPK — RTK/PPK é o que dá precisão centimétrica
Ordem · Observações · AtivoNãoordem por omissão = seguinte à última; activo por omissão

A consola lista as zonas com área em km², proveniência e setas Subir (fica por cima) / Descer (fica por baixo), botão Ativar/Desativar e um resumo de cobertura do município: área já voada, falta voar e percentagem, calculados pela intersecção das zonas activas com o polígono do município (exige território associado). Ver e consultar requer cadastro.view; registar, editar e activar requer cadastro.manage.

No mapa ​

No painel de camadas do Mapa cadastral, a secção Zonas de ortofoto lista as zonas activas com data do voo e GSD, com liga/desliga por zona. "Cada zona pode ter data/resolução diferentes — verifique antes de desenhar sobre ela." Um talhão desenhado com ortofoto activa por baixo do seu centróide recebe classe de precisão B; sem ortofoto, C.

Marcos geodésicos e pontos de controlo ​

Urbanização › Marcos geodésicos — a rede de pontos materializados no terreno (chapa/pilar) com coordenadas conhecidas. São o ponto de partida das poligonais de rumo-distância e a referência que dá à geometria a classe A.

Registar marco geodésico:

CampoObrigatórioNotas
CódigoSimgravado na chapa (ex.: MX-01); único por município
DesignaçãoSim
Latitude · Longitude (WGS84, graus decimais)Simo servidor recusa pontos fora de Moçambique (lat −27 a −10, lng 30 a 41): "confirme se a latitude e a longitude não estão trocadas ou com o sinal errado"
Altitude (m)Nãoortométrica; vazio = não nivelado
Método de levantamentoSimGNSS estático · GNSS RTK · GNSS PPK · Estação total · Outro
Precisão declarada (mm)Nãodo relatório de levantamento; vazio = desconhecida
OrigemNãoquem materializou/levantou (ex.: DINAGECA)
Data de materializaçãoNãonão futura
Observações · AtivoNão

Na lista: coordenadas WGS84, altitude, precisão, método, materialização, filtros por activo e método, Ativar/Desativar. Um marco destruído ou duvidoso desactiva-se, nunca se apaga: os levantamentos que partiram dele continuam a fazer sentido, mas deixa de aparecer no mapa e no selector Marco de partida da poligonal. Ao editar, as coordenadas só devem mudar após novo levantamento.

TIP

Ao fechar uma poligonal a partir de um marco, o servidor devolve o código e a precisão em mm do marco para o boletim de campo. O rigor da parcela nunca é melhor do que o do marco de onde partiu.

Camadas base do mapa ​

Motor único MapLibre; a imagem vem de tiles raster:

BasemapFonteZoom nativo
Satélite / OrtofotoMapbox satellite (com chave)19 (~50 cm/px na latitude da Maxixe)
HíbridoMapbox satellite-streets19
RuasMapbox streets22
LimpoMapbox light (só em alguns ecrãs)22
OSM (aberto)OpenStreetMap, sem chave19 — sem imagem de satélite

Sobre o basemap sobrepõem-se as zonas de ortofoto (zoom até 22 por omissão) e, no Modo 3D, o terreno (DEM aberto ou Mapbox com chave), hillshade e céu. O mapa deixa-se aproximar até z23 por overzoom: acima do zoom nativo o motor estica o último tile.

Indicador de qualidade da imagem ​

No rodapé do editor, a "barra de calibração" diz em cada momento o que a imagem vale:

  • a calibrar… — ainda há tiles a chegar; o desfocado pode ser só carregamento;
  • qualidade máxima (~X cm/px) — tudo carregado e o zoom dentro do nativo da fonte (satélite ou ortofoto);
  • além da resolução (âmbar) — o zoom passou o nativo: "não há mais informação na imagem. O desenho vetorial continua preciso; mais detalhe só com ortofoto".

Realce da imagem ​

Painel Realce da imagem: contraste, saturação, ponto preto, ponto branco, matiz e nitidez ao aproximar (interpolar vs. mostrar o pixel real), com predefinições Neutro, Realce de contornos e Sombra aberta. O Realce avançado processa cada tile localmente: contraste local (CLAHE), nitidez (unsharp mask), remoção de neblina, separação de cor e sobreposição de arestas.

WARNING

O realce só ajusta o que a imagem já contém — não inventa pixels nem aumenta a resolução. Serve para encontrar uma aresta ou um muro em sombra, não para "melhorar a precisão".

Ferramentas comuns dos mapas ​

  • Coordenadas ao vivo — lat/lng e UTM 36S sob o cursor, escala aproximada 1:N;
  • Ir a coordenada — "lat, lng" (ponto ou vírgula decimal) ou "E N" em UTM 36S; Enter para voar. Coordenadas fora do município são recusadas;
  • Onde estou — centra o mapa na posição do dispositivo com o círculo de incerteza em metros;
  • Medição — ferramenta Medir distância/rumo (M) e a medida viva durante o desenho: área, perímetro, dimensões, rumo (0° = Norte, sentido horário) e comprimento do último lanço;
  • Desenho — polígono, rectângulo com ângulo, círculo por raio, mão-livre, edição de vértices, snapping a vértice/aresta/ponto médio/intersecção com tolerância em metros, ângulo recto, fronteira partilhada, parcelamento, buffer;
  • Pesquisa — filtros das listas (talhões por código/designação/bairro, DUAT por título/talhão/titular); clicar numa linha centra/abre a feição;
  • Exportação — desenho actual e sub-talhões em .geojson; o memória de vista (posição/zoom) é guardada localmente no browser;
  • Camadas — visibilidade, ordem e opacidade por camada; legenda por estado de talhão e por rede de infra-estrutura.

Para trabalho profissional fora do browser, o cartógrafo pode ligar o QGIS directamente à base PostGIS (catálogo territorial em leitura; as camadas cadastrais nativas com geom); as regras de negócio, numeração e auditoria vivem na aplicação, por isso a escrita a partir do QGIS deve limitar-se a camadas puramente cartográficas e o catálogo territorial é só de leitura.

Precisão cadastral e boas práticas ​

O SGM não promete cadastro "milimétrico": promete centimétrico comprovável. Cada talhão declara como foi levantado e com que erro, e essa declaração é visível na ficha, na tabela de atributos e no mapa:

ClasseOrigemErro real esperado
AEstação total / GNSS a partir de marco (data e responsável obrigatórios)1–3 cm
BDesenhado sobre ortofoto de drone activa5–15 cm
CDesenhado sobre satélite global0,5–5 m
DMigrado / proveniência incerta> 5 m

Boas práticas que o sistema impõe ou recomenda:

  1. Registe os marcos primeiro. Sem marco activo, a poligonal parte de coordenadas ditadas à mão e não há cadeia de rastreabilidade;
  2. Prefira o levantamento ao desenho. O desenho sobre imagem herda o erro de georreferenciação da imagem; use Coordenadas ou Rumo-distância para valor legal e preencha data, responsável, equipamento e precisão declarada;
  3. Exija fecho 1:2000. O servidor recusa poligonais piores; um fecho de dezenas de centímetros denuncia azimute trocado ou unidade errada;
  4. Distâncias de terreno vs. quadrícula. Na Maxixe (≈ 239 km do meridiano central) o factor de escala UTM vale ≈ 1,0003 — +3 cm por cada 100 m se não for aplicado. Escolha correctamente Distâncias medidas na poligonal;
  5. Verifique a data e o GSD da ortofoto antes de desenhar sobre ela; zonas lado a lado podem ter anos e resoluções diferentes;
  6. Não amplie para "ganhar" precisão. Quando o indicador diz "além da resolução", a imagem não tem mais nada para dar;
  7. O GPS do telemóvel centra, não mede. Pontos marcados em campo copiam-se com 6 casas decimais (~11 cm) e passam sempre pelo formulário de marco ou de talhão, com a sua validação;
  8. Fronteiras partilhadas — use a ferramenta de adopção de troço para que dois talhões contíguos tenham exactamente a mesma linha; o servidor recusa sobreposições, mas frestas de centímetros geram litígios;
  9. Não confunda contornos de edifícios com limites de parcelas. Os edifícios de referência ajudam a localizar; o limite é um facto jurídico-social confirmado no terreno;
  10. Ao substituir uma geometria, leia o desvio (distância máxima e diferença de área) e só depois confirme — a operação fica em auditoria com os valores antes/depois.

TIP

Ortofotos de drone com valor cadastral exigem licenciamento de voo (IACM), autorização de aerolevantamento e homologação cartográfica. O sistema regista a proveniência (operador, equipamento, correcção de campo) precisamente para que a classe B seja demonstrável.

SGM — Sistema de Gestão Municipal · Águia Consultores